Lanterna

17/12/2008

Ninguém gosta de esperar. Eu não gosto. Se imagino, já quero porque, quando imagino, na maioria das vezes isso significa possibilidade iminente. Sei – duma maneira bastante exata – o que posso e o que não posso. É são termos um pé que seja no real enquanto deliramos vida afora… Mas a realidade, essa minha atual rival, belicosa e pessoalmente contraditória, me castiga com longas esperas, com demorados replanejamentos e eternas revisões, pontuando meu caminho com sua coleção particular de pedras, alguns matacões me fazendo sombras assustadoras…
Não gosto de esperas. Mas mesmo assim caminho nestas sombras, decidido.
Porque te levo na mão direita.
E torcendo pra que as pilhas durem.


Pêra

08/12/2008
Fruta macia
Doce madura
Sem qualquer mancha escura
Que se entrega
À (minha sôfrega primeira) mordida.
Perdida
Por resvalo de mão
Deitada ao chão
Magoada…
Pisada…
Sofrida…
Descuido meu
Puro.
Botânico seio
Qu´eu aperto
Qu´eu consumo
E qu´eu espero
Ter inteira de novo
Na fruteira
Do meu invisível/indivisável
Futuro.