Ritos

Lembro de quando nos desenhamos debaixo de um coreto decrépito; rabiscou meu rosto; risquei tuas pernas…
Me recordo da manhã na ilha cinza, do calmo passeio por entre esculturas retorcidas; câmera lenta que passo e repasso vezes sem conta…
Não esqueço nem do mais mundano momento em que conseguimos chegar, quando por engano colocamos os pés na passarela do Festival da Carne… e rimos francamente disso!
Houve a troca gentil de assentos num ônibus… Houve o cinema… Houve o casaco oferecido na tarde ventosa… Houve a pastilha de hortelã… Houve um almoço, e também três bibliotecas… Houve música… Houve arte… Houve estória… Houve… correspondência.
E houveram, sim, mãos dadas.
Pouco? Dou de ombros.
Percebo que tivemos ritos; oh, sim, os tivemos, e tudo bem que condensados no tempo; e que alguns sinônimos para “condensados” podem ser: concentrados, enxutos, livres de gordura, densos…

Intensos…

E que a única coisa que eu abomino de fato nesta última frase é mesmo esse seu triste tempo verbal.

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10 Responses to Ritos

  1. ... disse:

    Eu me lembro.

  2. ... disse:

    Ainda tem email do hotmail? Outlook, agora? Tem um chat lá.

  3. ... disse:

    Um chat do Skype, parece.

  4. ... disse:

    A vida é a arte do desencontro.

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