Coisas Pequenas

09/02/2009

Unha.
Dente.
Fita.
Nó.
Alho.
Salsa.
Leite
Em pó.
Chama.
Códea
Dormida.
Colher
De aveia
Em papaia
Da feirinha
Da esquina.
Mel.
Polenguinho
Prateado.
Flor.
Um ovo.
E você
De novo
A recusar
Este café
Incompleto
Mas amoroso
Com um
Curto
Não.
Coisas pequenas…


Uma noite do outro lado…

06/02/2009
Sabe aqueles sonhos intensos e assustadoramente reais que temos de quando em vez? Tive um desses: sonhei que era uma garota.
E gostei.
Muito.
Não que tenha realizado oniricamente alguma oculta fantasia de alcova. Absolutamente. Nem que tenha qualquer necessidade de afirmar o contrário disso. Não, por favor. Foi algo diferente. O registro é apenas para diferenciar o prazer, o enorme prazer que obtive com a experiência de me mirar em um espelho e encarar um rosto liso e proporcional, encoberto por mechas esticadas e brilhantes que conseguia colocar para o lado que bem entendesse quantas vezes quisesse em curtos espaços de tempo, mais um lábio farto de carne molhada que podia estalar; quis apenas ratificar como esplendorosa a sensação cinestésica de completo controle do meu corpo – pernas, ombros, costas, pescoço, quadris – de conseguir me movimentar em ondas de perfume suave por entre as pessoas e da formidável capacidade que isso tem de convergir olhares masculinos; disse que gostei por causa da simplicidade que adquiri magicamente de somente com um olhar – um olhar amendoado e misterioso mas demorado e silencioso – ser capaz de ter a atenção irrestrita, um capuccino num lugar bonito e possivelmente transporte para onde eu desejasse ir do homem que eu escolhesse, tendo a garantia de fábrica de poder mudar de idéia no instante que melhor me aprouvesse, e retorno garantido à condição anterior se assim o desejasse; friso também a delícia da percepção do completo descompromisso imbuído em qualquer instância nessas atitudes e disposições, sobrando em quantidade suficiente uma agradabilíssima certeza de um poder socializador sem limites. Poder disponibilizador. Poder descartador. Poder obsessor. E nunca, claro, por minha culpa direta…
Gostei de ser mulher.
Gostaria também de ter a certeza de que tudo isso compensa à larga desconfortos como menstruação, ida a banheiros públicos em estradas, divórcios litigiosos e chuvas de verão.