Drama

29/07/2009

Num espaço de 9 anos, junte uma paixão avassaladora com suposta certeza de domínio da situação, mais 90% de verdades, 2% de mentiras e 8% de ocultações (não abusar jamais das verdades!); adicione pitadas de convivência (de preferência as de sabor intenso) e bata só um pouco, resistindo à tentação de mexer demais, tudo regado com rápidos abraços, toques fugidios e aroma de banho tomado; reserve o tempo necessário até a ânsia crescer enormemente. Enquanto isso, proceda à inevitável, lenta e dolorosa separação. Depois de uns 4 anos, polvilhe numa mesa todas as lembranças que tiver e sove sua consciência até que se torne uma massa informe e que desgruda dos dedos (mas não do cérebro). Reserve por mais 4 anos. De vez em quando vá dar uma olhadinha para ver como as coisas estão, mas não se aproxime demais. Use mais recordações se necessário. Culpa à gosto. Toste em forno hiperalto e imediatamente depois encerre no freezer. O resultado fica melhor se fizer isso várias vezes antes de servir.
Dá para duas pessoas. Às vezes, três.

 

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Slow Motion

27/07/2009

Tu
Reprise
Que teimo em ver de novo
Em capítulos de memórias encasteladas,
Mal resolvidas,
Que não enjoo,
Que passo devagarinho todo dia,
Todo dia, toda noite com o remoto apertado em mão.
Slow motion…
Então me adoeço e adormeço,
Esconjurando em sonho o antigo eu que te fui,
Seguindo trôpego em dupla lida forçada
Em direção à u´a morte benvinda
Já por mim abençoada,
Vivendo nesse eterno diário,
Particular bestiário
De insistentes gerúndios:
Acordando ansioso,
Comendo com olhar prisco,
Vestindo suéter boloroso,
Cantarolando balada triste
E sentindo a toda hora que chance, enfim, inexiste.
Assim sigo
(Te) Esquecendo em câmera lenta.
Slow motion.

40 anos

20/07/2009

Há exatas quatro décadas atrás, nesta hora, eu estava com minha família numa sala com as janelas cortinadas por cobertores grossos assistindo em preto e branco ao pouso dos americanos na Lua. Era de tarde. A sensação que eu me lembro era de que algo importante e único estava acontecendo, já que  absorvia completamente a atenção dos adultos, boquiabertos e orgulhosos.
Eu, criança, pouca idéia tinha disso tudo. Brincava de viver. Conceitos como futuro, espaço, navegação me eram naturalmente estranhos; mas mesmo assim os tacos do assoalho ficaram marcados nos meus joelhos enquanto eu via, siderado, aqueles bonequinhos brancos se mexendo no tubo.
Hoje, mergulhado no futuro que lá atrás eu desconhecia, olho de volta no tempo, desejoso sem estranhar de querer voltar e tentar fazer um caminho radicalmente diferente do que fiz.
Um caminho que viesse a me levar definitivamente próximo à estrela que meu coração envelhecido resolveu assestar e que, hoje, cada vez mais, miseravelmente, se afasta de mim.
À incrível velocidade da luz.


Riso amarelo

01/07/2009

O humor negro sempre trapaceia.