Cravos

25/08/2009

E na estação deles, chegaram.
Não (tendo) brotado botanicamente de um chão
Arado, semeado, regado,
Mas descaídos de um céu nublado,
Despejados, atirados –
Brancas bátegas, marmóreas pétalas –
Sobre mim.
Cravos.
Preencheram meu mundo, os orifícios dele;
E bem devagar apodreceram seus caules retos
Palha seca a me espetar como o fazem as irrealizadas lembranças…
Tua silenciosa vingança em forma de indiferença; meu derradeiro Céu; vossa herança:
Festim de necrófagos insetos.
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Haicai

17/08/2009
Tu, sol da manhã,
És tinta clara que me cobres,
Pobre casebre de cegas janelas.
 

 


Rap´oema

05/08/2009

Cansei
De você;
Escut´aqui agora o que eu tenho pra dizer:
Tô cantando,
Tô feliz;
Não é chôro: é suor de liberdade o que m´escorre do nariz. 

Eu perdi,
Você perdeu;
E a conta dessa merda quem pagou fui eu.
Tempo lixo.
Um hospício
Ter a vida invertida esfacelada pelo vício
De te amar… 

Corre
Na noite da cidade o boato
Que a pomba fragilzinha não se rendeu ao rato.
 

Postes.
Na entrelinha do outdoor ninguém lê escrito em sangue o tamanho da ferida e o que é pior:
Virei lembrança. 

Hostes
De desesperados;
Minha dor não é maior,
Mas deflagra os petardos
Que estilhaçam o teu retrato escaneado, lindo rosto. 

Meu azar,
Minha sina,
Meu encosto,
Esse rancor…
Teu desgosto,
M
eu amor…! 

E o que me sobra?
Minha estória, triste estória, mas que eu vou redigitar.
Um exercício pra não ter afinal que me atirar
Do (mais alto) edifício.
Um resquício
De uma vida invertida esfacelada pelo vício
De te amar. 

Isso!
Vício de te amar! 

Mas tô cantando,
Mas tô feliz;
Não é chôro: é suor de liberdade o que m´escorre do nariz.