Outono em verão

11/02/2010
Hoje, 11 de fevereiro
Senti fenecer mais um pouco:
Percebi o passo vacilado,
O atraiçoamento da memória
E a nova ruga tributária no espelho; 

Galguei menos célere a escada,
Toquei pela enésima vez aquela música balzaquiana da Blondie na sala
E notei que repeti na roupa o detalhe em vermelho. 

Demorei muito de olhos fechados no chuveiro. 

Um dos suspiros do dia foi significativamente profundo.
Parei por tempo demais de pensar numa solução pro mundo e, em vez disso
Só acompanhei o planar do pombo no estacionamento. 

Não mexo na teia,
Mais sopa de aveia,
Menos sal,
Mais coentro. 

Mas apesar de tudo,
Da dor, da falha, do passar sem volta do tempo,
Ainda consigo carregar você
Inteira
Bem aqui dentro.