Neve de Julho

31/07/2010


Não era pra ser, mas assim se deu –
Verão radioso fora de época,
Luz brilhante, cegante, na testa
E que agora translada pra inverno. 

Cai devagar branca neve de julho… 

E cada floco – fractais cacos de vidro que polvilham minha face, duras, pétreas gotas, sim senhor –
É um teu toque à distância, regrado, medido
Que mi´a paixão sublima em nanoexplosões de vapor. 

Cai devagar glacial neve de julho…

Cai… mas logo finda! 

Não era pra ser, mas assim se deu –
Esplêndida primavera,
Tímida semente que enfim vingou;
Lânguida semente, agora quase quase flor! 

Pois que nasça, que já é tempo seu! 

E cada flor – em fantásticas pinceladas de natureza – pontilha meu olhar de vida, vivas cores em carne viva!
Um olhar seu de perto, um toque seu de olhar
Que mi’a pele arrepia em explosões meteóricas de… amor! 

Nasce flor que já é tempo,
Já é tempo de flor;
Já é tempo de amor!

O que começara com uma rima derreada se tornou uma pequena alegoria de esperança sobre encontros e desencontros, escrita a quatro mãos, iniciada por mim e concluída por Duda. Muitos beijos a ela por sua dedicação corajosa, por sua determinação inabalável e por sua delicadeza feminina ao receber de mim o triste rascunho inicial: devo-lhe um dia ruim transfigurado!


A Domadora

21/07/2010
Mostre,
Peça,
Regre,
Dite,
Doutrine,
Instaure,
Ordene,
Oriente,
Comande,
Indique o caminho preciso que devo seguir;

Ameace,
Zangue,
Proíba,
Negue,
Grite,
Bata,
Admoeste,
Prometa,
Descumpra,
Estale o chicote bem perto pra que´u possa ouvir;

Descuide
Um só milissegundo

E sinta mi´as garras rasgando tua carne,
Bote arquitetado de besta fera
De novo selvagem em teu mundo.


Livros

17/07/2010

Os piores livros eu leio rápido, de supetão, assim (estalando os dedos).
Mas os melhores ou eu paro, interrompo, ou postergo o fim ad infinitum, repolegando suas páginas…
Acho que gosto de namorar.


Poluções

17/07/2010

O espetáculo começa
Quando se apagam as luzes.
REM inquieto com início, meio e fim;
Balé de sombras que se aglutinam em corpos de musas centáuridas
Que trotam diáfanas, ofertosas somente para mim.

Escolho a d´olhos mais belos
E ponho em play uma marcha de amor.

Gotejam delicados xilofones
Respingados por surdo e tarol cadente.
Liame d´arpas dedilhadas sem engano
Quase quase wagneriano…

E imerso neste onírico universo
Onde cavalgam os desejos,
Vejo a lipizanner e o corcel
Colidindo músculos viris em tropel,
Dentes mordendo o ar em gozo,
Crinas e cascos em trovoada subindo-descendo´ morro…

Está quente. O sol brilh´em meus olhos!

Sonhos orvalhados.


As Quatro Fases Cintilantes de uma Paixão Notadamente Fulminante e Especialmente Arrebatadora Resumida em Canhestra Prosa Livre por um Pobre Desastrado Observador Amador de Estrelas Endorfinado

05/07/2010

Curiosidade detalhista crescente,
Caixa de correio cheia;
Medo paralisante minguante;
Brocado em dossel e fronha alva nova.


Efeito-empatia

01/07/2010

Sabe quando ficamos a testar o outro, olho no olho, esperando pra ver quem resiste menos e pisca primeiro? Sabe quando dá aquela ansiazinha corrosiva depois da primeira noite, aguardando a ligação? Sabe quando a Relatividade é esticada e torcida, um minuto parecendo se estender tanto que não chega ao fim nunca? Sabe quando você não resiste ao último brigadeiro na mesa daquela festa que se mostrou tão simplesmente agradável? Sabe quando os mesmos erros crassos magicamente se tornam possibilidades para novos erros excitantes? Sabe quando, miseravelmente, não dá pra esperar?
Efeito-empatia.