Bipolaridade

30/10/2010


Ontem a poesia era bem mais fácil, havia um incrível campo carpeteado de tulipas para se correr e o sol brilhava com a força e a intensidade cromática de uma alegria genuína rediviva.
Hoje a púmice ácida fende a pele. O fôlego, ressecado, arfa cansado e choroso na tentativa de se evadir em dezesseis mil passos de uma atmosfera infernal de irrealização, deitando no caminho rastro para estas culpas sapadoras.

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Panacéia

25/10/2010

Neosaldina pra cefaléia.
Vitamina D pra reumatismo.
RPG pra coluna.
Colírio pra olho ressequido.

Mas o quê pra queda de cabelo?

Gota otológica pra dor de ouvido.
Músculo drenado por alongamento matutino.
Asana pra pescoço, verdura no almoço
E uma providencial taça de vinho.

Bicarbonato pra azia.
Diurético pra pressão.
Por fim, você, 2 vezes ao dia
Pra cuidar exclusivamente deste meu combalido sincopado coração.




Bilhete de despedida

22/10/2010
Verdade que minto
Quando perdoo este destoo
Em nossa relação.

Contudo, eu sinto
Por mim pena,
Vergonha plena e por ti, é!, amor.

Mas não carece rememorar-me.
Destrua-me
Pra que´u possa fazer o mesmo, vingador.

E essa raiva em que agora me debato
É apenas um último extertor
Sem importância, sem ensaio;
O final da cena canastrona de mais um mediano ator.


Conformity Lake

16/10/2010

Uma diminuta possibilidade pode ser poderosa: ela nos faz concentrar esforços, dragados do piso pegajoso e lamacento do profundo lago que batizamos de Conformidade.


Alta Graduação

06/10/2010


O ódio é o mosto da inconformidade, sumo amargo de colheita deitada fora, harmonizado com os cacos em que se pisa e se corta em dança funérea onde imperceptivelmente se sangra em bordô.


Estilhaços

06/10/2010


Hoje, eu, contrariado, vencido, cadáver emocional, confesso que te odeio; intestinalmente.
Mas no dia de minha morte-de-fato, prometo, te desejarei o melhor possível, tenh´em mente.
Mas apenas e somente no dia de minha morte-de-fato.
Serão, anote, teus segundos de libertação, extração em mim do teu último estilhaço.