Condição Humana 1#

13/09/2012

A terra em transe,
Os confrontos civis,
Os mercados em duelo,
A Ciência questionando,
O estômago queimando,
Melhor ser, estar ou ter?…

… E eu, aqui, só pensando em te…

O corpo que envelhece,
O ente que falece,
A galáxia que se torce,
O acidente grave com morte,
O acaso, o destino, o determinismo, a sorte…

… E eu, aqui, só pensando mesmo em te…

O quark que se esconde,
A dor lancinante na fronte,
O tempo perdido,
O tempo que falta,
Paixão ou amor? Atemóia ou fruta-do-conde?
Quando? Quem? Por que? Aonde?…

… E eu, aqui…


Conjugação

29/08/2012

Eu insisto,
Tu desistes,
Ela vai (embora).
Nós (nos) conformamos,
Vós lamentaríeis (?),
Eles (com certeza) ignorarão.


Platonism´s Day

12/06/2012

No mundo em que vivo hoje, temos um laço. Forte. Que não se esgarça com o tempo nem com a distância. É o insight que me arrebata toda noite com ares de certeza, de dogma, de verdade absoluta, o leitmotif que me faz ir dormir e desejar acordar depois.
Mas é somente uma minha dimensão… Dá pra desligar. Às vezes eu esbarro no interruptor e acendo o mundo real, enxergando que estamos, enfim, longe, você esquecida de mim, espiritualmente seccionada dos meus assuntos, independente e – às vezes me pegando não querendo supor – feliz.
E é precisamente nessa corrida sem chegada que eu vou te perdendo a cada volta.


Meu Bem

16/05/2012

Não é presunção
Quando digo que existe explicação
Pra tudo; meu bem, é só procurar.

Mas pro que foi concebido inexplicável,
Essa pedra que por medo você tacha inescalável,
Meu bem
Pra mim é teu túmulo. Durma com Deus. Amém.
 


7 de março – Dia do Detesto

07/03/2012

– Detesto ouvir celular tocar com o dono longe.

– Detesto pedestre que muda de direção subitamente sem olhar.

– Detesto extremos.

– Detesto esperar ônibus – e cinco vezes mais sozinho.

– Detesto ter poucas opções.

– Detesto quando uma estátua-viva se mexe quando vou fotografá-la… Tá, ok, isso é mais engraçado do que detestável. : |

– Detesto quem não para de falar.

– Detesto dar desculpa (mesmo sendo bom nelas), mas também detesto desculpa ruim.

– Detesto esquecer, não querendo esquecer. Detesto ter que esquecer.

– Detesto (ou estou começando a detestar) incompatibilidades digitais.

– Detesto óculos embaçado.

– Detesto sexo regulado.

– Detesto ser ignorado. Mesmo eu ignorando, às vezes. O que é uma incongruência existencial. Mas não me perdoe por isso.


Saudade (samba)

30/01/2012

Vou contar o que é saudade
Pra quem ainda não sabia:
Saca um sorriso amplo
Tatuado pra sempre na retina?

É isso.

Lembra de alguém que nunca esquece,
Da voz doce que o persegue?

É isso.

Passa dia, vira década,
E você colado ao passado
Que lhe foi tão bom.
Saudade é isso:
É a suma felicidade
Só que fora do tom.

Vou contar o que é saudade
Pra quem ainda não sabia:
Saudade é o que eu sinto por você, guria
Todo, todo santo dia.


Tudo Bem

30/12/2011

Percebi ontem à noite, quando deitei pra dormir.
Eu estava bem. Muito bem. Estranhamente bem. Com bastante sono, era verdade, mas tranquilo, com um mínimo de dores – apesar da última costela partida ainda estar se solidificando – e imerso naquela sensação de despreocupação que aparece quando as contas e as obrigações estão em dia, vivendo sem remédios há mais de uma semana. Me senti bem como há um bom tempo não me sentia. E esse bem estar permanece hoje, agora, presente, nítido, perceptível.
Por que esse bem estar apareceu? O que o causou? Não sei bem. Ultimamente vinha achando que minha qualidade de vida começaria uma leve curva descendente natural, que a minha demora característica em caminhar mais rápido rumo aos meus objetivos e o envelhecimento normal do corpo iriam começar a cobrar cada vez mais seus tributos – e que eu pouco ou nada poderia fazer contra isso.
Mas acontece que hoje estou bem – meu corpo me diz isso à maneira dele… Respiro bem – o ar se insinua diferente nos pulmões… Me movimento bem – há força extra nas pernas e equilíbrio nos ouvidos… Meus passos continuam firmes – sinto a tração no solo nas plantas dos pés… Carrego com fôlego minhas cargas – mochilas e lembranças como que fizeram alguma dieta de sucesso.
O que está acontecendo?
Será que alguma celulazinha de meu corpo, de uma hora para outra, cansada de esperar eu ir e voltar com meus medos e ponderações excessivas, decidiu por si só dar o exemplo e ficar bem só com essa condição não importando mais nada, e isso – sendo virótico e contagioso – espalhou-se por toda a sua volta, em sinapses benfazejas até me açambarcar por completo? Não sei. Cético que sou, só posso classificar o que está ocorrendo como alguma espécie de segurança, que de alguma maneira se me apossou, me ensopa, me encharca e quase que me domina hoje.
Estou (longo suspiro!) bem. Que coisa miserável ter esquecido como era esse estado!…
Será que adentrei (finalmente? Tardiamente? Aos 47?!…) a porta da maturidade?…
Quanto mais isso irá durar?…
Sabe… chega de pensar nisso. Decidi só aproveitar essa boa ideia, esse pequeno presente que me caiu certinho no colo.